Mais de 6 mil Meteoritos caem na Terra Todos os Anos
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Meteoritos são pedaços de rochas espaciais que resistiram à queima da atmosfera e chegaram à superfície.
Dos que caem aqui, menos de 2 mil atingem o solo
Todos os anos, milhões de meteoroides (rochas de tamanho variado, indo desde grãos de poeira a pequenos asteroides) atravessam a atmosfera da Terra.
Durante a passagem, essas rochas são queimadas e emitem luz brevemente em belos meteoros, também conhecidos como “estrelas cadentes”.
Os pedaços que resistem à viagem e chegam ao solo, recebem o nome “meteorito”.
Então, ficamos com a pergunta: afinal, quantos meteoritos caem na Terra a cada ano?

Qual a diferença entre meteoro, meteorito, meteoroide, asteroide e cometa?
Meteoro iluminou o céu de cidades em São Paulo
Bem, o brilho dos meteoros vem da fricção com o ar, que faz com que estas rochas queimem e emitam rastros luminosos no céu — às vezes, elas podem brilhar tanto que recebem o nome “bola de fogo”.
Milhares delas aparecem no céu a cada dia, mas como costumam aparecer durante o dia ou em regiões de baixa densidade populacional, ou acima de oceanos, acabam passando despercebidas.
Gonzalo Tancredi, astrônomo da Universidade da República, no Uruguai, nota que a maioria dos meteoros detectados na Terra vem das chuvas de meteoros, fenômenos periódicos relacionados à poeira liberada por cometas.

Entretanto, estas chuvas não costumam gerar meteoritos, porque os fragmentos rochosos delas são frágeis demais para sobreviver à queima e chegar ao solo.
Para ele, não é possível saber a quantidade exata de meteoritos que caem no oceano e afundam, mas, ao analisar dados da Sociedade Meteorítica coletados de 2007 a 2018, Tancredi chegou a uma boa estimativa.
A quantidade total de quedas de meteoritos na Terra é quase igual àquela da quantidade de meteoritos reportados em áreas urbanas, dividida pela porcentagem de área terrestre ocupada pelas cidades.
De forma geral, o astrônomo estima que cerca de 6.100 meteoritos caem todos os anos na Terra, mas somente 1.800 atingem o solo.
Ele considera que rochas com até 10 m de diâmetro atravessam a atmosfera terrestre em intervalos que podem variar de seis a 10 anos.
Já aquelas com algumas dezenas de metros de extensão (como a que causou o que ficou conhecido como “Evento de Tunguska”) ocorrem a cada 500 anos.

Por fim, impactos de alguma rocha com 1 km de diâmetro parecem acontecer em intervalos maiores, de 300 a 500 mil anos.
Já as colisões de objetos espaciais com potencial ainda mais devastador — como aquela atribuída à extinção dos dinossauros, há mais de 60 milhões de anos — ocorrem entre 100 e 200 milhões de anos.
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Já parou para pensar na quantidade de meteoros que cruzam os céus ao longo de um ano?
Ou melhor, já se perguntou a quantidade de meteoritos — o que sobra da queima do meteoro na atmosfera — que chegam ao solo terrestre?

Pois um novo estudo publicado no dia 15 de abril deste ano, no periódico científico Earth & Planetary Science Letters, estima que, por ano, a Terra recebe mais de 5 mil toneladas de “poeiras” vindas do espaço.
Os resultados são de uma pesquisa desenvolvida durante quase duas décadas por um grupo internacional de cientistas de instituições como Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), Université Paris-Saclay e o Museu Nacional de História Natural, dos EUA, com o apoio do French Polar Institute.
Embora os meteoritos que chegam à superfície da Terra, em sua maioria, tenham tamanhos estimados entre décimos a centésimos de milímetros, ao fim de um ano podem resultar num total de 5,2 mil toneladas de material.
Para realizar este levantamento, a equipe realizou seis expedições para o coração da Antártica ao longo das últimas duas décadas, com o objetivo de coletar e analisar meteoritos.

Liderados pelo pesquisador Jean Duprat, da CNRS, os pesquisadores escolheram a estação Dome C, localizada a 1.100 km da costa de Adélie Land — um local com baixa taxa de acúmulo de neve e praticamente livre de poeira da própria Terra.
Ao coletarem partículas de fora do planeta, com tamanhos que variam entre 30 a 200 micrômetros, os cientistas conseguiram medir o fluxo anual correspondente ao material acumulado por metro quadrado.

Quando esta estimativa é aplicada para todo o planeta, chega-se ao total de 5.200 toneladas de poeira extraterrestre ao ano — bem maior do que o fluxo proporcionado por objetos maiores.
Comparando este resultado com as previsões teóricas sobre as origens destes micrometeoritos, a equipe confirmou que cerca de 80% vem de cometas, enquanto o restante de asteroides.
Este novo dado é fundamental para entendermos o papel desse fluxo vindo de fora do planeta — que pode ter fornecido água e moléculas de carbono no passado da Terra.
