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Secretário de Saúde se encontra com lideranças comunitárias

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Atendendo ao convite das Associações de Moradores do Jardim Ipiranga e Jardim Brasília, o secretário de saúde, Orestes Camargo Neves, se reuniu na noite de ontem (27/03) com aproximadamente 15 representantes da comunidade local. O encontro, que também contou com presença do presidente do Comsaúde (Conselho Municipal de Saúde), José Sebastião de Souza Campos, aconteceu na sede da AAPIA (Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Americana), no Jardim Ipiranga.

Durante a reunião os representantes questionaram o fechamento da UPA São José, a situação geral do atendimento no Hospital Municipal e mudanças de alguns serviços, que foram necessárias devido à reorganização da rede. Havia uma preocupação dos moradores sobre a possibilidade de fechamento da UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. “Não existe o menor indício de que isso vá acontecer”, tranquilizou o secretário.

Ele explicou que a maior dificuldade tem sido a escassez de recursos humanos, isto devido à impossibilidade que a prefeitura tem de contratar servidores por concurso público, condição apontada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) ao município por haver ultrapassado o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Eu acredito que este ano ainda teremos algumas dificuldades, mas o ajuste fiscal que a prefeitura vem realizando está dando sinais de que as coisas estão começando a melhorar”, considerou.

Orestes disse que esteve reunido com o prefeito recentemente, a fim de discutir alternativas para a contratação de profissionais, e que apresentou a ele duas propostas, sendo uma referente à abertura de pregão para se contratar empresa terceirizada de recursos humanos – a exemplo do que acontece hoje com a Plural no Hospital Municipal – e outra sobre a constituição de um consórcio envolvendo os municípios vizinhos. “Depois de conversar com o prefeito e os secretários de Negócios Jurídicos e Administração, nós chegamos à conclusão de que o consórcio é a opção para resolvermos os principais problemas relacionados com a falta de profissionais na saúde de Americana”, concluiu.

Uma realidade exposta

Durante a reunião o presidente da Diaconia São Judas Tadeu, Lucas Leoncine, entregou ao secretário um censo realizado entre os anos de 2015 e 2016. Ao todo foram entrevistados 11.500 moradores da região da paróquia São Judas Tadeu, no Jardim Ipiranga, o que resultou num levantamento sobre saúde, transporte, saneamento básico, emprego, condição familiar, moradia, entre outros fatores.

Segundo o presidente, este levantamento não foi aplicado exclusivamente na área da saúde, mas poderá servir como ferramenta para auxiliar na gestão, já que no estudo foram apontados muitos indicadores, como o envelhecimento da população (26% dos entrevistados com mais de 60 anos) e a dependência de serviços públicos como saúde e transporte, por exemplo. “Muita gente acha que o Jardim Ipiranga é só de classe alta, mas a realidade é bem diferente, aqui existe muita gente que passa por dificuldades”, explicou Leoncine, esclarecendo que 30 famílias do bairro vêm sendo auxiliadas pelo serviço paroquial.

Realizado pela Paróquia São Judas Tadeu, em parceria com as pastorais, o censo foi realizado nos bairros Vila Amorim, Vila Omar, Jardim Ipiranga, Jardim Brasília e Terramérica I e II e serviu para mostrar a realidade das pessoas, para que a partir daí os voluntários pudessem traçar as prioridades nas ações da paróquia. Apesar de ser feito por uma instituição religiosa, o levantamento não se limitou apenas às pessoas ligadas à igreja, mas abarcou um universo de quase 12 mil pessoas, as quais foram ouvidas de porta em porta, seguindo o modelo de censo aplicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com o levantamento, na área que se estende desde a Vila Amorim até o Jardim Terramérica I e II há cerca 6.200 moradores que necessitam de atendimento público na saúde. O documento mostra que mais de 1.300 destas pessoas não possuem veículo próprio. Entre os entrevistados há cerca de 1.800 idosos, sendo 520 portadores de doenças crônicas, além de 140 pessoas de outras idades com doenças crônicas e que também são dependentes do SUS (Sistema Único de Saúde), revelou o estudo.